Caio Bosco em linda resenha feita por Julinho Bittencourt em A Tribuna

Quero agradecer de coração ao legendário protagonista da música santista Julinho Bittencourt pelo lindo texto sobre o álbum. Fiquei realmente emocionado quando li, foi como um incentivo a mais pra eu seguir em frente e driblar as adversidad…Ver mais
O primeiro solo de Caio Bosco

Julinho Bittencourt

Não é de hoje que o cantor, compositor e instrumentista Caio Bosco chama a atenção dos atentos à cena musical da Baixada Santista. Não é de hoje também que ele tenta, e aos poucos consegue, furar a membrana invisível da Serra do Mar, que sempre separa os músicos da região do resto do país.
O fato é que Caio chega ao seu primeiro disco solo e quarto projeto que participa. Os dois primeiros foram com a intrigante “Radiola Santa Rosa”, ainda com o nome de Caio Dubfones, que circulou discretamente no underground hip hop e serviu para mostrar que ali havia tutano. Tempos depois apareceu com o EP Diamante e agora, finalmente, com a primeira grande obra, batizada única e tão somente “Caio Bosco”. Trata-se de um álbum aparentemente de soul music, que soa orgânico, repleto de riffs de guitarra, teclados sem sequenciador e vários elementos da música eletrônica moderna.
A primeira e mais óbvia reação ao disco, diante da sua qualidade, limpeza sonora e originalidade, é que não pode ser o que é de fato. Um álbum feito com os próprios recursos, da forma mais independente que se possa imaginar, todo composto, cantado, arranjado e produzido por um garoto do Guarujá, cidade do litoral paulista, praticamente sem sair de casa.
A estranheza começa pelo fato do tal garoto cantar demais mesmo e isso não é só. O faz com personalidade e uma linda e inusitada voz de tenor, que faz com que as suas excelentes e engenhosas composições soem mais interessantes ainda. Dizer que ele canta parecido com os grandes cantores de R&B é limitar demais seu fraseado. Caio é Caio no sentido estrito do termo. Conseguiu seus próprios voos, seu próprio jeito, o que é raro.
Na outra ponta das suas facetas, ou seja, seu lado produtor e empreendedor, contou com a ajuda do pianista Alexandre Basa, que toca um original piano elétrico Fender Rhodes. Além dele, participaram também Juca Lopes na bateria e programações, DJ Beto Machado nos toca discos, e Malásia na percussão.
Caio, que é obcecado pelos sons naturais, mandou o tape para finalizar nos EUA. Conseguiu com isso a mixagem do álbum por Jim Waters (Jon Spencer Blues Explosion, Sonic Youth) que o fez em sistema analógico no Arizona/EUA. Uma vez pronta, a matriz foi para a masterização em Nova Yorque, nas mãos de Fred Kevorkian (White Stripes, Iggy Pop).
O resultado final teve o efeito do fermento no pão e no forno adequado. Sua massa repleta de ideias ousadas tornou-se um lindo produto final pronto para ser devorado em qualquer vitrine do mundo. Um álbum que, acima de tudo, dá um grande salto de qualidade nas possibilidades da produção independente. Um desafio a quem se arvora em seus pequenos estúdios caseiros.
O mais legal de tudo mesmo, no entanto, é que “Caio Bosco” é um disco bom de ouvir, desses que fazem boa companhia, divertem. Suas canções são divertidas, bem humoradas, com melodias bem construídas e ótimas letras, sem invencionices. Tudo muito simples e direto. Bom de subir serra acima e mundo afora.

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