Cibercultura, Ciber Gil, Ciberencontro e Ciberoportunidade.

*Foto tirada por Andressa Passetti no encontro sobre Cibercultura no teatro Guarany em Santos dia 1 e 2 de Outubro, (da esquerda para a direita): Caio Bosco, Chico Caminati, Cris, José Murilo Costa Carvalho Junior, André Lemos, Sérgio Amadeu e Gilberto Gil.

Nos dias 1 e 2 de Outubro, tive o privilégio de participar do seminário sobre tecnologia, ciber espaço e sobre os dez anos do lançamento do livro “Cibercultura“, escrito pelo filosofo francês Piere Levy (que também participou do evento ao lado dos professores André Lemos, Sérgio Amadeu, Laymerte Dos Santos, do responsável pela cultura digital do governo José Murilo Costa Carvalho Junior, o curado e produtor Claudio Prado e do meu ídolo/músico/herói Gilberto Gil).

No primeiro dia, o debate girou em torno da diversidade cultural e linguística na rede, Levy defende a criação e um código/língua universal (tipo uma biblioteca de Alexandria), o que deixou algumas pessoas da mesa, estudiosos da diversidade e comportamento humano um pouco irritados.
Já dentro do segundo dia, foi proposto uma oficina de remix (que de remix não tinha nada) com o Gil. Ele falou da influencia da tecnologia na sua obra, cantou várias músicas acompanhado do seu filho (que tocou percussão e uma linda guitarra Gretch), falou sobre o festival Ilha de Wright e Glastonbury (que tanto ele quanto Claudio Prado foram em 1970), sobre a transição do acústico para o elétrico e sobre o eterno embate “Homem X Máquina”. Tudo foi gravado e inserido em batidas eletrônicas geradas por software livres.
Como no primeiro dia do evento, eu tinha feito uma pergunta escrita sobre Ianis Xenakis e a técnica “Grain” (para quem acompanha esse blog e quer saber mais sobre essa técnica, clique aqui). Como eles não sabiam do que se tratava essa tecnologia musical, fui chamado para falar com o Claudio sobre o assunto. No outro dia, na hora em que eles estavam discutido com o Gil sobre as novas possibilidades de negócios musicais através do Creative Commons e Open Business, fui convidado pelo meu amigo Chico Caminati e autorizado pelo Claudio a subir e participar do debate.
Nesse momento tanto eu, quanto o Chico e o Cris (um dos reponsaveis pelas colagens da voz do Gil nos beats eletrônicos), estávamos falando do nosso apoio ao Creative Commons, a música livre, mas a necessidade de haver um caminho mercadológico nos dias atuais para a consolidação de um mercado independente (por que será que todas as vezes que um artista fala de dinheiro para pagar as contas e desenvolver o seu próprio trabalho, as pessoas ficam com uma raiva danada?). Claro que sou a favor da ideia da música como algo maior que a forma comercial, mas vivemos em uma mundo capitalista, onde para manter-se vivo gasta-se um trocado. O debate começou quando o Cris falou de forma coerente o seu apoio ao Crative Commons, mas como pagar as contas? Como desenvolver um trabalho independente de uma forma honesta? Claro que alguns “sabidões” falaram um monte de abobrinhas sobre a industria musical (um “doutor e professor de universidade” inclusive comparou o artista independente aos escravos, aos negros sem donos e que estávamos ali “reclamando”, mas se fosse nos anos 80 nenhum de nós estaríamos ali, salve salve “doutor zé ruela acha que sabe tudo”). Até o meu amigo Mauro falou que graças a Internet a música estava fora da forma de comércio e que nós estávamos ali querendo prende-la novamente no bazar lucrativo dos que compram iates (Mauro se nós apoiamos o Creative Commons é claro que apoiamos e defendemos a música livre e somos contra as regras de poder do establishment fonográfico, outra se eu quero ganhar um trocado justo com música é por que tudo que gira em torno dela é caro pra valer, estúdio, masterizações, equipamentos).
O que eu defendo e quero para a minha carreira como músico/cantor e compositor, justamente é a independência, um canal de comunicação alternativo com o meu público (em lenta mas sólida construção), vias alternativas e propostas reais para que o meu trabalho e o investimento integral que faço com o meu salário de professor tenha o seu devido valor (do qual se eu não lutar para ter, é evidente que ninguém me dará).
Claro que os catedráticos não sabem essas respostas, eles vomitam em cima de onde eles cresceram (o establishment) e falam do mercado independente (cujo nem na frente da porta eles passaram) como experts usando exemplos como Radiohead e Calypso, rsrsrs.
O melhor é que no final pude falar um pouco com o Gil e perguntar como foi ver o Hendrix e o Miles na fase elétrica ao vivo na Ilha de Wight, ele disse que o Miles foi o ápice já que nesse período o disco de cabeceira dele (meu também) era o legendário Bitches Brew. Como o Airto Moreira era o percussionista do Miles, ele avistou o Gil e o chamou para o backstage, onde ele e o Caetano Veloso viram o Jimi de pertinho, olha o comentário do tio Caê, quando viu o Hendrix com aquele bigodinho de pipoqueiro: “Parece os garotos mulatos de Santo Amaro”.
Demais!
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Uma resposta para Cibercultura, Ciber Gil, Ciberencontro e Ciberoportunidade.

  1. Pedro Martins disse:

    Hahaha, bigodinho de pipoqueiro pro Jimi foi foda!!!Porra, belo vômito, irmão. É isso mesmo. Pau no c… dos Zé Pussy catedráticos.A concentração de poder – nesse caso o econômico – é sempre nociva para o social.A lógica mercadológica das gravadoras é irracional.Estão vendendo pra gente produtos descartáveis, quando o que queremos é ARTE. E essa você não aprende na escola. Nasce com ela. Vide os grandes exemplos.Abaixo o status quo!

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